quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

h(EU)stória - o tempo em transe 2

TEASER h(EU)stória O tempo em transe

h(EU)stória

hEUstória O TEMPO EM TRANSE COMPLETO

hEUstória O TEMPO EM TRANSE COMPLETO

H(EU)STÓRIA O TEMPO EM TRANSE EM CARTAZ NO TEATRO ARRAIAL ARIANO SUASSUANA

NOSSO CONCEITO SOBRE A TRILOGIA VERMELHA

A palavra vermelho tem sua origem no latim vermillus, que significa “pequeno verme”, remetendo-se a conchonilha, inseto do qual é extraído o
corante carmim. O vermelho possui diferentes nomes devido à variação de sua obtenção, que pode vir, como já foi dito, de um inseto, de um minério
ou até mesmo de um vegetal – o urucum.
Supostamente, é a primeira cor percebida pelo homem. Considerada a mais importante desde a pré-história por ser dotada de poderes
relacionados à vida. Simboliza o sangue e o fogo e, por isto, diz-se que ele seduz, encoraja e provoca. Alerta, proíbe e inquieta. Biologicamente,
provoca o aumento da pressão arterial, da pulsação e do ritmo respiratório, ou seja, mexe nos estados internos do corpo. De acordo com a psicologia
das cores, o vermelho significa motivação, atrai coisas novas e incentiva o recomeço. É ainda o espírito do pioneirismo e da persistência e, ao mesmo
tempo, da indecência, da grosseria, da crueldade, da revolta e da brutalidade. Na política, o vermelho é constantemente associado à Revolução. Enfim,
historicamente, a cor vermelha simboliza a luta diária do coração humano por abrigar os sentimentos mais vivos da humanidade, como: o amor, a
paixão e a ira.
Queremos o vermelho como conceito, como forma e conteúdo, como tema e argumento dos nossos desejos mais inflamados, simbolizando um
estado de criação latente por abrigar “verdades desconcertantes” que necessitam ser amplificadas e tornadas vivas pela matéria presente do teatro -
que é trabalho do ator. A partir deste referencial teórico, o Coletivo Grão Comum e a Gota Serena projetaram o pensamento de uma Trilogia Vermelha.
São três obras a serem apresentadas: h(EU)stória – o tempo em transe, pa(IDEIA) – pedagogia da libertação e pro(FÉ)ta – o bispo do povo.
Nelas, encontramos a questão dos tempos e das memórias, as questões do EU na fronteira entre o individual e o coletivo, explicações sobre o Brasil
atual e sobre as relações indissociáveis da arte com a política. A imperiosidade da prática formadora de natureza eminentemente ética ou da educação
crítica como ação revolucionária, a trágica questão do conhecer e, principalmente, do ignorar, a problematização do futuro e a aplicação, nos seres
humanos, das melhores ideias pedagógicas desejosas de autonomia e libertação. E, por fim, a fé como caminho de religação e de espiritualidade, o
desarranjo da metafísica do ser social em confronto com a crise de Deus.
Na dramaturgia de cada espetáculo, reelaboramos os discursos históricos e as vidas dissonantes de três nordestinos que representam o que o
Brasil tem de melhor enquanto figura humana na História e pelo crescimento do mundo. São eles: O cineasta baiano Glauber Rocha, o educador
pernambucano Paulo Freire e o bispo cearense Dom Helder Câmera.
Ao promover esta aproximação temática entre arte, educação e religião de forma dialética, criamos espaços para exercitar como atores criadores,
a teatralidade destes discursos dissonantes que tanto nos interessa na atualidade. Nossa pesquisa é delineada pela linguagem da performance (e as
vastas dimensões do teatro ritual), pelas formas clássicas e hibridizadas do épico, do lírico e do dramático. Ou seja, despertamos para um
aprofundamento da cena contemporânea entre ator e espectador, estabelecendo diálogos diretos e tonificados sobre a realidade que nos constitui
nesta existência comum. Como bem afirmou o crítico Alexandre Figueiroa, queremos “experimentar, trilhar caminhos e fazer isto com a alma aberta,
acreditando em suas escolhas e se jogando nelas com amor”.
Em linhas gerais, a TRILOGIA VERMELHA é a nossa proposta de pesquisa e experimentação, no âmbito do teatro adulto, que desejamos oferecer
para as plateias que constituem a nossa sociedade brasileira. Nossas ações englobam as seguintes atividades: apresentação dos três espetáculos;
execução das oficinas pedagógicas e livres intervenções no espaço urbano.

FOTOS DA ÚLTIMA TEMPORADA DO ESPETÁCULO H(EU)STÓRIA O TEMPO EM TRANSE NO TEATRO HERMILO BORBA FILHO

Fotos: Felipe Mendes