"Senti
uma profunda efusão poética a exalar do palco. Cada palavra dita mexeu
profundamente com o meu interior, com aquilo que eu havia construído e chamado
de : vida!"
Paulo
Henrique, espectador
"Daí a
permanente luta, por parte de Glauber, por tensionar a linguagem até o máximo
grau possível, na busca de aproximar as suas ideias (não raras vezes
entrelaçadas de insights, de aproximações antes nunca pensadas, desconstruindo
o coro dos contentes, denunciando os pés de barro das ideias feitas, mirando a
sua metralhadora à direita e à esquerda), e os signos que as podiam traduzir. E
é aqui que entra os desafios de Márcio Fecher e Júnior Aguiar. (...) Ao
materializar as cartas de Glauber em gestos, em vozes e, principalmente, em
suores que saem por todos os poros dos seus corpos, os atores conseguem a
proeza de dizer o que elas, as cartas, enquanto letra grafada em uma folha de
papel, talvez não puderam dizer o que o seu autor quis um dia expressar. Afinal,
dá para pensar a palavra saindo da pena ou da boca de Glauber sem a modulação
da sua voz e sem os gestos largos e excitados dos seus braços e do seu corpo
como um todo? A tensão existente nas cartas de Glauber — ideias/linguagem — se
estende, agora, entre os textos e a modulação das vozes, entre os textos e a
gestualização dramática, entre os textos e a transpiração dos corpos de Márcio
Fecher e Júnior Aguiar. E é nessa tensão entre signos linguísticos
materializados em corpos, gestos, suores e ação dramática que as palavras de
Glauber se conciliam com o que foi um dia apenas pensamentos, sensações e
desejos do cineasta.
Anco Márcio Tenório,
escritor
"Desde o
encontro regado a thai na entrada do teatro, aos incensos e o altar-oferenda,
com santos e protetores, fogo, água, ao branco vestido pelos atuantes, tudo nos
desvela o universo apocalíptico, caótico e profético do personagem central do
trabalho, descortinando-o documento a documento. (...) o trabalho tem
verdades desconcertantes. Um campo em transe que vaza do palco para a platéia.
O Coletivo grão comum e gota serena produções e eventos afeta com o discurso,
com a revelação desta importante personagem nacional e também com a competência
dos atuantes (...) força que se distribui generosamente a partir destes
dois artistas narcísicos, como Glauber, no que o Narciso tem de melhor para nos
dar, o olhar sobre si mesmo no lago profundo e o reflexo do mundo a adentrar
n’água e em nós."
Luciana Lyra, atriz
e diretora
A arte também é um
lugar de mistérios. Um desses mistérios é a capacidade de despertar emoções e
encantamentos inesperados. Nesse sentido o teatro, pela sua própria condição de
presença física, de contato direto, é uma das expressões que pode mais nos
ferir e nos provocar. E é com essa sensação que sai do Teatro Arraial após
acompanhar a apresentação de H(eu)stória – Terra em Transe. O espetáculo
concebido e encenado por Júnior Aguiar tem desarranjos, incertezas e lacunas,
mas tem garra e nos instiga a compartilhar com ele os transes do nosso tempo,
passado e presente. (...) coragem do Coletivo Grão Comum de experimentar,
trilhar caminhos e fazer isto com a alma aberta, acreditando em suas escolhas e
se jogando nelas com amor. (...) Percebemos nessa entrega uma certa
pureza de propósitos e um desprendimento de determinados valores que conduzem
hoje a produção cultural em geral, mas acreditem, ela é muito bem vinda.
Alexandre Figueiroa,
jornalista e professor
No cenário, muito pouco se faz
necessario. Os únicos artificios de que se valem os atores ao longo dos mais de
60 minutos de encenação são retalhos de tecido vermelho, além de malas, algumas
peças de roupa, , um cabide, umbanco e outra tira comprida de tecido preto, que
forma um círculo no centro do palco e protagoniza um dos momentos mais bonitos
da peça, quando o cineasta, exilado de seu país, massacrado pela crítica e
dilacerado pela morte da irmã, vê-se acuado pelas circunstâncias. Enquanto um
ator chora copiosamente todas as dores de Glauber, no centro do círculo, o
outro fecha-lhe o cerco, puxando o tecido até que só lhe reste o vazio, onde
antes estava tudo o que ele entendia por mundo.
Bruna
Cabral – jornalista do Caderno C
Atores Xamânicos
(...) estou em transe, diluído e suspenso do cotidiano, alimentado e
defumado pela dionisíaca atuação. Banquete que me deixou nu, sem a pele do
próprio corpo, para cobri-lo com a voz, o suor, os ossos , as veias e a
sensível teia que vocês nos oferendaram no "gritoantigrito" do palco
milenar, na erupção das vossas bocas-úteros a jorrar talento,vísceras e cores
Adriano Cabral, ator
“A cena pernambucana agradece!”
Thiago Ambrieel, ator
“vi, recomendo e confesso que
foi uma das melhores surpresas teatrais que já tive na minha vida”.
Roberto Moreira Dias, professor
“Forte e belo trabalho
sobre Glauber Rocha lá no teatro Arraial... não vale ficar curtindo e não ir ao
teatro”
Elias Mouret, diretor de teatro
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