sexta-feira, 2 de maio de 2014

DEPOIMENTOS SOBRE O ESPETÁCULO

"Senti uma profunda efusão poética a exalar do palco. Cada palavra dita mexeu profundamente com o meu interior, com aquilo que eu havia construído e chamado de : vida!"
Paulo Henrique, espectador
"Daí a permanente luta, por parte de Glauber, por tensionar a linguagem até o máximo grau possível, na busca de aproximar as suas ideias (não raras vezes entrelaçadas de insights, de aproximações antes nunca pensadas, desconstruindo o coro dos contentes, denunciando os pés de barro das ideias feitas, mirando a sua metralhadora à direita e à esquerda), e os signos que as podiam traduzir. E é aqui que entra os desafios de Márcio Fecher e Júnior Aguiar. (...) Ao materializar as cartas de Glauber em gestos, em vozes e, principalmente, em suores que saem por todos os poros dos seus corpos, os atores conseguem a proeza de dizer o que elas, as cartas, enquanto letra grafada em uma folha de papel, talvez não puderam dizer o que o seu autor quis um dia expressar. Afinal, dá para pensar a palavra saindo da pena ou da boca de Glauber sem a modulação da sua voz e sem os gestos largos e excitados dos seus braços e do seu corpo como um todo? A tensão existente nas cartas de Glauber — ideias/linguagem — se estende, agora, entre os textos e a modulação das vozes, entre os textos e a gestualização dramática, entre os textos e a transpiração dos corpos de Márcio Fecher e Júnior Aguiar. E é nessa tensão entre signos linguísticos materializados em corpos, gestos, suores e ação dramática que as palavras de Glauber se conciliam com o que foi um dia apenas pensamentos, sensações e desejos do cineasta.

Anco Márcio Tenório, escritor

"Desde o encontro regado a thai na entrada do teatro, aos incensos e o altar-oferenda, com santos e protetores, fogo, água, ao branco vestido pelos atuantes, tudo nos desvela o universo apocalíptico, caótico e profético do personagem central do trabalho, descortinando-o documento a documento. (...) o trabalho tem verdades desconcertantes. Um campo em transe que vaza do palco para a platéia. O Coletivo grão comum e gota serena produções e eventos afeta com o discurso, com a revelação desta importante personagem nacional e também com a competência dos atuantes (...) força que se distribui generosamente a partir destes dois artistas narcísicos, como Glauber, no que o Narciso tem de melhor para nos dar, o olhar sobre si mesmo no lago profundo e o reflexo do mundo a adentrar n’água e em nós."

Luciana Lyra, atriz e diretora

A arte também é um lugar de mistérios. Um desses mistérios é a capacidade de despertar emoções e encantamentos inesperados. Nesse sentido o teatro, pela sua própria condição de presença física, de contato direto, é uma das expressões que pode mais nos ferir e nos provocar. E é com essa sensação que sai do Teatro Arraial após acompanhar a apresentação de H(eu)stória – Terra em Transe. O espetáculo concebido e encenado por Júnior Aguiar tem desarranjos, incertezas e lacunas, mas tem garra e nos instiga a compartilhar com ele os transes do nosso tempo, passado e presente. (...) coragem do Coletivo Grão Comum de experimentar, trilhar caminhos e fazer isto com a alma aberta, acreditando em suas escolhas e se jogando nelas com amor. (...) Percebemos nessa entrega uma certa pureza de propósitos e um desprendimento de determinados valores que conduzem hoje a produção cultural em geral, mas acreditem, ela é muito bem vinda.

Alexandre Figueiroa, jornalista e professor

No cenário, muito pouco se faz necessario. Os únicos artificios de que se valem os atores ao longo dos mais de 60 minutos de encenação são retalhos de tecido vermelho, além de malas, algumas peças de roupa, , um cabide, umbanco e outra tira comprida de tecido preto, que forma um círculo no centro do palco e protagoniza um dos momentos mais bonitos da peça, quando o cineasta, exilado de seu país, massacrado pela crítica e dilacerado pela morte da irmã, vê-se acuado pelas circunstâncias. Enquanto um ator chora copiosamente todas as dores de Glauber, no centro do círculo, o outro fecha-lhe o cerco, puxando o tecido até que só lhe reste o vazio, onde antes estava tudo o que ele entendia por mundo.
Bruna Cabral – jornalista do Caderno C
Atores Xamânicos (...) estou em transe, diluído e suspenso do cotidiano, alimentado e defumado pela dionisíaca atuação. Banquete que me deixou nu, sem a pele do próprio corpo, para cobri-lo com a voz, o suor, os ossos , as veias e a sensível teia que vocês nos oferendaram no "gritoantigrito" do palco milenar, na erupção das vossas bocas-úteros a jorrar talento,vísceras e cores
Adriano Cabral, ator
“A cena pernambucana agradece!
Thiago Ambrieel, ator
“vi, recomendo e confesso que foi uma das melhores surpresas teatrais que já tive na minha vida”.
Roberto Moreira Dias, professor
“Forte e belo trabalho sobre Glauber Rocha lá no teatro Arraial... não vale ficar curtindo e não ir ao teatro
Elias Mouret, diretor de teatro

CLIPAGEM












TEMPORADA NO TEATRO ARRAIAL, MARÇO DE 2014- Fotos por Gustavo Túlio